Os partidos e políticos de esquerda desprezam os evangélicos e se aproximam desse segmento em tempos de disputa eleitoral apenas para obter votos. A afirmação, embora resuma uma percepção amplamente conhecida entre os fiéis, partiu de um acadêmico que se dedicou a compreender essa relação.

O antropólogo Juliano Spyer é autor do livro Povo de Deus: Quem são os Evangélicos e por que Eles Importam, obra que analisa o crescimento dos evangélicos no país nos últimos 50 anos. Em entrevista recente, afirmou que a postura de desprezo da esquerda pelos evangélicos se dá pelos valores e princípios inegociáveis desse segmento social, que estão enraizados na fé.

“A esquerda tem, em geral, dificuldade de lidar com a religião, especialmente a cristã católica. A visão desse grupo, em geral, tende a se expressar pela frase de Marx de que ‘a religião é o ópio do povo’. Sobre a direita se apropriar do discurso religioso, precisamos considerar que muitos conservadores são religiosos. São grupos católicos, judeus, protestantes históricos e espíritas que se opõem a temas como casamento gay, legalização da maconha, proibição do aborto”, contextualizou, em declaração ao jornal O Globo.

As tentativas de aliança entre partidos de esquerda ou iniciativas como a “bancada evangélica popular”, que atua para disseminar os valores dessa ideologia no meio evangélico, formam, na visão do antropólogo, “uma contradição profunda”, já que essa visão de mundo trata a religião como inimiga: “O político de esquerda geralmente não se interessa, não tem empatia pelo evangélico, mas precisa do voto evangélico e por isso faz alianças de ocasião nas eleições”.

Spyer, no entanto, não demonstra reconhecer como legítima a atuação dos evangélicos na política: “As igrejas, em geral, vêm perdendo o poder de influenciar moralmente a sociedade, e a participação no Estado passou a ser uma maneira de influenciar o debate sobre pautas morais. É nesse contexto que se popularizou a frase ‘irmão vota em irmão’. Esse estímulo inicial vem, mais recentemente, tomando a forma de um projeto de ocupação do Estado, e isso acontece pela instrumentalização da igreja para fins políticos”.

“Usar as igrejas, seus púlpitos, a recomendação de seus líderes, e seus canais de comunicação para promover candidatos evangélicos que, quando eleitos, não prestam contas a seus eleitores, mas aos líderes das igrejas que os elegeram. A consequência disso vai de influenciar o debate político sobre as chamadas pautas morais, defender vantagens e benefícios às igrejas e também barganhar apoio político com outros segmentos conservadores do país, como as bancadas da bala e do boi”, acrescentou, valendo-se de termos pejorativos para se referir aos parlamentares que atuam em prol da segurança pública e da agropecuária.

A postura de enfrentamento à criminalidade é uma das bandeiras da campanha do presidente Jair Bolsonaro. Já a agropecuária brasileira é o único setor da economia que vem registrando crescimento constante nos últimos anos, e essencial para que o país produza alimentos.





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